10/07/2009 - 10h07
Frigoríficos, MPF, pecuaristas e governo do Pará assinam termo de ajuste de conduta

Por Redação do Carbono Brasil

Os frigoríficos Bertin e Minerva, o governo do Pará, pecuaristas e o Ministério Público assinaram nesta quarta-feira (8/7) um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para estabelecer a evolução de práticas socioambientais na pecuária no estado.

Entre os compromissos assumidos pelos frigoríficos estão a não aquisição de gado de áreas que figurem nas listas de áreas embargadas e de trabalho escravo divulgadas na internet pelo IBAMA e pelo Ministério do Trabalho, respectivamente; que tenham condenação judicial de primeiro grau, e até que esta não seja reformada pelas instâncias superiores, por invasão em terras indígenas, por violência agrária, por grilagem de terra e/ou por desmatamento e outros conflitos agrários; e que haja desmatamento ilegal de novas áreas a partir da data de assinatura do TAC.

O acordo foi conduzido pelo próprio MPF e ganhou dimensão a partir da divulgação do relatório do Greenpeace “A farra do boi na Amazônia”, no início de junho. “O acordo dos frigoríficos representa um passo importante em um estado marcado historicamente pela falta de governança. No entanto, não foi atendida a demanda dos clientes da Bertin e da própria opinião pública, que não aceitam mais desmatamento na Amazônia, seja legal ou ilegal”, disse Andre Muggiati, do Greenpeace. “Zerar o desmatamento é vital em um mundo envolvido em discussões sobre as mudanças climáticas”, completou ele.

O documento inclui ainda o compromisso de que somente serão comprados animais de fornecedores que apresentem, no prazo de seis meses, comprovante de que deu entrada ao pedido de obtenção do Cadastro Ambiental Rural (CAR) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA); e, no prazo de 12 meses, o pedido de licenciamento ambiental junto à Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Soma-se ainda, a exigência de que o fornecedor tenha a licença ambiental no prazo de 24 meses, e a situação fundiária regularizada no prazo de 60 meses.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, a Faepa, a Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura) e a Fetraf (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar), principais representantes de pecuaristas e sem-terra no Pará, aderiram como forma de apoio, dando um sinal de que os seus associados também buscarão chegar a um pacto de regularização, ou ao menos seguir as diretrizes propostas.
Rastreabilidade

Em relação à rastreabilidade, o Governo do Estado do Pará se comprometeu a implantar a guia de trânsito animal eletrônica e, após a implantação, os frigoríficos apenas irão adquirir bovino acompanhado da mesma.

Em parceria com o MPF, no prazo de dois anos, a Bertin afirma que incentivará a existência de um sistema público de rastreabilidade de animais que tenha por finalidade garantir dados sobre a origem e destino do gado, desde a fazenda de produção até o consumidor final.

Para garantir que os termos sejam cumpridos, será realizada uma auditoria por empresa privada, paga com dinheiro estadual e federal, a partir de setembro de 2010.

Com a assinatura do acordo, as empresas que receberam a recomendação do MPF para encerrar os contratos com os frigoríficos poderão retomar as operações, entre eles os grupos Pão de Açúcar, Carrefour e Wal Mart, que suspenderam as compras de carne dessas empresas há cerca de um mês.

Os frigoríficos que assinaram o termo de ajustamento de conduta serão retirados das ações que tramitam na Justiça Federal. A expectativa do MPF é que mais frigoríficos assinem o acordo ainda esta semana.


(Envolverde/Carbono Brasil)


Últimos Comentários
Anderson Souza Figueiredo (mundifood@terra.com.br)
Temos que reconhecer que o trabalho realizado pelo Greenpeace e a atuação do ministério público federal veio em boa hora. Mas sem a adoção de uma certificação privada da cadeia de fornecimento isso tudo pode se perder. A relação entre produtores e o mercado consumidor não pode ser balizada por TAC realizado pelo Ministério Público Federal. A ação do MPF ajuda na identificação de matérias primas de origem ilegal, porém a origem certificada da carne independe da assinatura de um TAC. TAC não é instrumento de acesso a mercado. Para isso já existem as certificações sustentáveis de produtos. A origem sustentável advém da adoção de auditorias e certificações de terceira parte realizadas por certificadoras independentes. O que precisamos entender é que existe uma diferença entre origem legal e origem certificada. A primeira somente exige a apresentação de licenças. A segunda contém todos os requisitos exigidos na primeira, todavia é mais abrangente, pois é balizada por padrões internacionais baseados em certificações de produtos e de boas praticas agrícolas e agropecuárias. Vários países já utilizam certificações privadas de boas praticas agrícolas e pecuárias como ponta de lança dos seus principais produtos. Uma pena que o Brasil ainda não percebeu a vantagem em utilizar esses padrões globais como requisitos nacionais. Enquanto isso não acontece vamos nos virando mesmo com os TAC´s do MPF. Portanto, para resolver o problema de vez: menos TAC e mais certificação!!!!!
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